quarta-feira, 20 de novembro de 2013

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E se me perguntarem se me arrependo de ter colecionado tantos relacionamentos falidos, passado noites aos prantos por quem não merecia sequer meu sorriso, quiçá minhas lágrimas ou não ter me casado quando a paixão me arrebatou pela primeira vez, eu respondo "claro que não". Mil vezes. Bem alto. A vida está aí para errar e aprender, não para se arrepender. Nenhuma relação é em vão. Cabe-nos ter sabedoria para enxergar e expelir dela o que nos fará crescer. Amadurecer. Ser melhores. A bagagem que carrego é parte do que me tornei, então, ao invés de arrependimento, sinto gratidão. Sou grata, sim, por ter dado a cara à tapa e, ao coração, experiências. Após tantas tentativas, relacionamentos findados, choros, sentimentos e ressentimentos, hoje sei, exatamente, o que espero do amor. Está nítido. Transparente. Límpido. Mais do que isso, agora sei, perfeitamente o que devo oferecer. Percebi, com o tempo, que nós complicamos o amor. E o amor não pode ser algo complexo, mas, sim, simples. Leve. Que chegue trazendo paz e certeza. Que flua naturalmente. Compreendi que não existe amor duradouro sem parceria. Ela é um dos elementos básicos, mas fundamentais para dar "liga" a essa receita deliciosa. Afinal, qual o sentido de caminhar junto se, no fundo, se está só. Entendi que amar é desbravar rumo ao desconhecido. Explorar o que o outro tem a oferecer e, em troca, entregar tudo o que temos de melhor. E bonito. E sincero. Amor é troca. Se não for troca, não agrega. E se não agrega, esvai-se. É só uma questão de tempo. Descobri que o amor não pode ser egoísta. É desejar ao outro a mesma felicidade que almejamos para nós. É ter vontade de proporcioná-la, de fazer parte dela. Amor é saber fazer concessões. É ponderar. É ter a humildade de se colocar no lugar do outro. De se permitir abrir os olhos para enxergar outro ponto de vista. Amor, de fato, é coisa de gente valente. De gente autêntica. Quem não consegue expor seus sentimentos, guardando-os no porão do coração, só afasta quem se ama. Amar, concluí, finalmente, não é uma disputa de egos. É não esperar - nem desejar - ser colocado em um pedestal, onde o outro passe a te idolatrar, porque amar não tem nada a ver com estar acima ou abaixo. Amar é estar ao lado. Sempre. E, tendo aprendido tanto, crescido tanto, melhorado tanto, é que digo que se me perguntarem se tenho guardado alguns arrependimentos, responderei "claro que não". Mil vezes. Bem alto. Milena Pelinson